Nos 300 dias de governo, Bolsonaro comemora mentiras

No dia da cerimônia de comemoração dos 300 dias de gestão foi distribuída uma cartilha chamada “300 Dias Recuperando a Confiança”, com afirmações infundadas sobre as ações do governo em relação à corrupção, meio ambiente, segurança pública,educação e saúde.

Foto: Reprodução da internet

O governo Bolsonaro preparou uma cartilha de 17 páginas com informações deturpadas para ser distribuída na cerimônia de comemoração dos 300 dias de gestão, que aconteceu na terça-feira (05) no Palácio do Planalto.

Junto a autoridades, Bolsonaro discursou e assinou projetos que ainda precisam passar pelo Congresso, dentre eles a medida provisória que quebra o monopólio de serviços da Casa da Moeda na produção de papel-moeda, moeda metálica, passaportes e selos postais e fiscais federais, permitindo que empresas, inclusive estrangeiras, façam o serviço da estatal.

Além desta, Bolsonaro assinou também o projeto de lei que permite a privatização da Eletrobrás, em mais uma ação entreguista dos nossos recursos nas mãos de grandes capitalistas. Nem mesmo o direito a golden share, uma concessão especial à União de veto em decisões importantes e estratégicas, está resguardada pelo projeto, mostrando a completa subserviência desse governo aos interesses do lucro.

Na cartilha, chamada “300 Dias Recuperando a Confiança”, o governo faz afirmações infundadas sobre suas próprias ações em relação à corrupção, meio ambiente, segurança pública,educação e saúde.

Corrupção

Já na introdução há a afirmação de que “os escândalos de corrupção sumiram do Palácio do Planalto e dos noticiários”, sendo que o ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio permanece no cargo apesar de ter sido acusado como o chefe do esquema de corrupção envolvendo candidaturas laranjas do PSL, com desvio de dinheiro público para empresas ligadas ao seu gabinete. Gustavo Bebianno foi despedido do cargo de secretário-geral da Presidência por causa desse mesmo caso de corrupção.

O filho do presidente, Flávio Bolsonaro, também foi indicado como suspeito de participar de um esquema de desvio de dinheiro dos salários de seus servidores, chamado de “rachadinha” e que envolveu as polêmicas com Fabrício Queiroz.

Meio Ambiente

O ponto sobre meio ambiente da cartilha diz que houve “redução das queimadas no Brasil entre janeiro e agosto”, apesar dos dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontar um aumento de 71% do número de focos de incêndio no período. Especialistas da área justificam o aumento como parte do discurso reacionário de Bolsonaro contra os órgãos ambientais, de forma a ter empoderado produtores rurais a agirem de forma criminosa.

Vimos o enorme incêndio que acometeu a Amazônia e chegou até mesmo a escurecer o céu de São Paulo às 15h da tarde, e o completo abandono do governo em relação ao derramamento de óleo em quase todo o litoral brasileiro. É um completo absurdo as declarações sobre “responsabilidade ambiental”, enquanto na verdade se quer apenas expandir o agronegócio em contraposição à preservação ambiental e de terras indígenas.

Segurança Pública

O governo fala ainda de “queda da criminalidade” e diminuição das ocupações de terra, apontando que “O MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra] está mais fraco graças à facilitação da posse de armas para pessoas de bem e pelo fim das ‘ajudas do governo’.”, sem nenhum dado que corrobore as afirmações, e ainda contribuindo para um discurso de ódio contra os movimentos sociais.

Educação

“Por anos, o futuro do Brasil foi criminosamente jogado na sarjeta das ideologias revolucionárias”, diz a cartilha ao tratar da educação, em um claro viés ideológico de extrema direita, que justifica todas as ações de criminalização dos professores como o projeto Escola sem Partido, ou Escola com Mordaça, e de cortes nas universidades públicas.

O governo mente dizendo que fez “investimentos nas universidades, na ciência e na tecnologia”, sendo que houve um corte de 30% dos recursos até outubro, impactando em centenas de projetos de pesquisa e de bolsas estudantis, além de projetos como o Future-se que pretende avançar na privatização progressiva das universidades.

As ações que o governo aponta para investimento da educação básica em detrimento do ensino superior são na verdade a retomada de programas já existentes e cortes que também afetam profundamente todos os níveis de ensino. Um dos projetos que o governo apresenta é a militarização de escolas civis, que pretende atingir pelo menos 10% das escolas públicas até o fim do mandato.

Saúde

A cartilha ainda se posiciona em relação ao programa Mais Médicos, dizendo que passou por uma revisão sobre o trabalho de médicos cubanos que, no entanto, não participam mais do programa depois que Cuba suspendeu a parceria frente às declarações racistas de Bolsonaro sobre a qualificação dos médicos. O governo lançou o programa “Médicos pelo Brasil” sem nunca propor ações para substituir os médicos cubanos em locais de difícil acesso nos interiores do país.

Economia

O texto da cartilha menciona a criação de vagas com carteira assinada ao mesmo tempo que comemora a extinção de 21 mil cargos e comissões no governo. Esquece de mencionar, no entanto, que 11,8 milhões de pessoas estão na informalidade no terceiro trimestre, de acordo com dados do IBGE, o número mais alto da série histórica, sem falar dos 12,5 milhões de pessoas amargando o desemprego. Além disso, dos cargos extintos do governo quase 14 mil foram tirados de universidades públicas federais, devido ao sucateamento da educação e do desrespeito ao trabalho produzido nas universidades promovido por Bolsonaro e pelo ministro Weintraub.

Muitas outras mentiras foram contadas na elaboração dessa cartilha e no discurso do presidente, em continuidade ao que o fez chegar ao poder, com disseminação de fake news e discursos infundados sobre a realidade, pautados nos interesses do lucro de poucos capitalistas que precisam entregar a vida da maioria da população à miséria. Para criar uma força real contra esse governo, precisamos nos organizar em cada local de trabalho e estudos com uma perspectiva revolucionária, que faça tremer Bolsonaro e seus comparsas.

Fonte: Esquerda Diário

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