Imigrantes venezuelanos chegam à BH trazendo esperança e sonhos na bagagem

Imigrantes venezuelanos contam suas histórias, desafios, superações e o novo Horizonte que se apresenta ser tão Belo

Chegado do primeiro grupo de migrantes venezuelanos interiorizados em Minas Gerais. Foto: ACNUR.org

O processo de interiorização dos venezuelanos, teve início em abril de 2018, e foi um esforço conjunto da Casa Civil da Presidência da República, Agência da ONU para Refugiados (Acnur) e Carritas Internacional e que continua levando os imigrantes de Boa Vista, no estado de Roraima (RR), para que se estabeleçam em outros estados. Até agora, 3.271 imigrantes foram levados pelo programa federal para 29 cidades. Minas Gerais estava fora desse circuito, até que por meio de uma associação de entidades públicas e privadas, se reuniram e por meio do Projeto Minas Acolhe, trouxeram os primeiros 37 imigrantes venezuelanos.

Imigrantes venezuelanos em Boa Vista, RR. Situação calamitosa e preocupante. Foto: Governo Federal

Cada vez, um maior número de venezuelanos chegam ao Brasil pela fronteira de Pacaraima (RR), o que faz com que o estado de Roraima concentre um grande número de imigrantes. Cerca de 5.700 venezuelanos estão acolhidos em 13 abrigos construídos pelo governo federal em Roraima, sendo 11 em Boa Vista e dois em Pacaraima.

O transporte dos venezuelanos para outros estados surgiu, então, da necessidade de diminuir a pressão sobre os serviços públicos de Roraima, além de oferecer oportunidades de trabalho aos imigrantes.

Um novo lar

Dos 37 migrantes que embarcaram em Boa Vista vindos para Belo Horizonte, 14 estão na Casa do Imigrante, nos fundos da Igreja São José e outros 12 estão no abrigo dos jesuítas. Na casa do imigrante, estão em sua maioria homens e jovens solteiros, que encontram-se sem suas famílias. O abrigo é mantido por diversas instituições e organismos ligados ao Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, a Arquidiocese de Belo Horizonte, o Serviço Jesuíta de Migrantes e Refugiados, além de outras instituições. O principal esforço no momento, é conseguir adaptar os recém chegados à cidade, e conseguir uma oportunidade de emprego formal, afirma Vinícius Rocha, da comunicação social do Serviço Jesuíta.

Novos Desafios, um Belo Horizonte

Armando Dias Jesus, de 18 anos, veio com seu tio para Belo Horizonte. Armando, conversou com nossa equipe e disse estar muito feliz por estar em solo mineiro, “o povo daqui é muito amigável, tem nos tratado muy bien” diz Armando.

O imigrante Armando Dias, de 18 anos: sonhos e planos para Belo Horizonte
Foto: Alvaro de Barros

Armando conta que já trabalhou de serviços gerais, em hotel, e que deseja arrumar trabalho logo para poder ajudar sua família que se encontra em Boa Vista.

 

Com um sorriso tímido, e muita expectativa Armando deseja conseguir uma entrevista de emprego e gostaria que sua família viesse para cá ficar com ele, pois sente muita falta deles e se preocupa com a situação difícil em que se encontram no norte do país.

Geyser Requena, de 42 anos deixou mãe, esposa e seus 2 filhos em Boa Vista, e veio buscar uma oportunidade na capital mineira. Gayser trabalhou por 14 anos em empresa estatal venezuelana do ramo de mineração. Com o agravamento da crise econômica, Gayser deixou a cidade de Esperto, e migrou para Pacaraima. “A situação me obrigou a sair de mi casa, mi casa.”, disse emocionado ao se lembrar da vida que teve na Venezuela.

“Ninguém deixa sua família, su hijos (seus filhos), sua casa por que quer. Fizemos por que precisamos, precisamos sustentar nossas crianças, precisamos seguir em frente. Não somos ladrões ou malfeitores, somos hermanos (somos irmãos).”

Por meio de conversa com nossa equipe, Geyser nos contou sua história de vida, e se emocionou ao relembrar de sua família. A saudade, distância e incertezas assustam, mas a vontade de melhorar a sua situação motiva e cativa quem escuta este simpático e amigável irmão sul americano falar.

Geyser Requena, esperança de um futuro melhor. Foto: Alvaro de Barros
Familia distante, coração apertado. Foto: Geyser Requena

Somos todos irmãos. Ninguém deve soltar a mão de ninguém!

Os 37 imigrantes venezuelanos deixaram pra trás família, casa, sua cultura, identidade e vieram para o interior do Brasil para conseguirem superar a dor, tristeza e situação preocupantes que viveram nos últimos meses. Tudo o que precisam é de uma oportunidade, de compreensão, de uma mão que se estenda, de um braço que ouse abraçar e de um sorriso que diga que somos todos irmãos e não soltaremos as mãos uns dos outros.

Tudo o que eles mais precisam neste momento é de serem acolhidos como irmãos, e de oportunidade de emprego, de se restabelecerem e assim trazerem seus entes queridos para morarem no Brasil, como mesmo disse Geyser “o povo daqui de Belo Horizonte, é um outro Brasil. Aqui somos amados. Em Roraima, erramos discriminados, aqui somos irmãos!”.

 

 

 

 

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