#AdiaENEM: derrotar Weintraub e seu projeto maligno

No dia 05 de maio, quando o país chegava à triste marca de 7.958 mortes notificadas de Covid-19, o ministro da Educação Abraham Weintraub anunciou ao Senado que o calendário do ENEM seria mantido este ano. O exame, que dá acesso à ampla maioria das vagas nas universidades públicas brasileiras e que também é requisito para participação no PROUNI, segundo o ministro, “não foi feito para corrigir injustiças”.

Foto: UBES

Seria ingenuidade acreditar que Weintraub desconhece a situação da juventude brasileira em meio à pandemia. Manter as datas do ENEM é um passo em direção ao projeto original do ministro: a destruição da educação pública, do acesso da juventude negra ao ensino superior e ao próprio exame nacional. Abraham nunca escondeu seu projeto de demolição do ENEM e agora usa a pandemia para aplicá-lo covardemente.

Em 2019, já houve um imenso retrocesso. A prova se tornou ainda mais conteudista. O argumento do ministro é de que foram eliminadas as questões que se referiam a “ideologias de esquerda”. Na verdade, foram eliminadas questões interpretativas que levam em consideração a vivência dos estudantes e temas sociais relevantes. Além disso, ocorreu, no ano passado, o erro na correção, o que prejudicou milhares de candidatos.

Em seu twitter, o Ministro falou: “A vida não pode parar! E é por isso que vai ter ENEM 2020. Estude pelos livros, pela internet, converse com seus professores e foque no seu projeto de vida, no seu futuro”. Segundo ele, a pandemia atrapalha todo mundo, mas é uma competição, então seria justo que houvesse o exame.

Sim, Ministro, o ENEM é uma competição, mas muitíssimo injusta. A cada quatro estudantes de classe média que prestam o exame, somente um acessa a universidade pública, já entre os pobres o índice é de um para cada 600.

Por isso, lutamos permanentemente contra essa injustiça, em defesa das cotas étnico-raciais e sociais, do investimento estatal na educação pública, da assistência estudantil e para que os filhos dos trabalhadores estejam nas universidades públicas.

Contudo, na pandemia, o que já era injusto se torna crueldade. O ministro propõe, na prática, que os jovens se virem como podem. Mas a crise do novo coronavírus não afeta a todos da mesma forma, e as condições para estudar sozinho em casa são totalmente díspares. O ambiente doméstico não é um ambiente de estudo adequado para a maioria dos discentes. A maior parte das famílias brasileiras não reside em casas com bibliotecas, escrivaninhas em quartos azul e cor-de-rosa. O cenário da propaganda do MEC não passa de fantasia para a ampla maioria dos estudantes brasileiros.

A verdade é que apenas 52,5% das casas têm abastecimento de água, esgoto sanitário ou fossa séptica, coleta de lixo e até dois moradores por dormitório. Em todo o país, 58% dos domicílios não têm computador, e 38% das residências não têm acesso à internet. Para as classes D e E o problema se aprofunda: 59% não navegam na internet. Isso somente para citar alguns exemplos.

Quando as casas possuem computador, ele é compartilhado, muita vezes, com outros membros da família. Não há ambiente privado para estudar, já que as casas são habitadas por muitas pessoas. Além disso, a maioria dos jovens, não indo à escola, são responsáveis por cuidarem dos irmãos, dos idosos, das tarefas domésticas e dos doentes. O mundo do “google classroom” passa longe da nossa juventude.

Ademais, as aulas de EAD sacrificam os professores em jornadas extenuantes e fazem com que os jovens percam a oportunidade de estudar o conteúdo deste ano letivo mais adiante, quando houver condições adequadas.

Weintraub, que ocupa seus dias em destruir a pesquisa, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, agora quer fazer uma prova na qual só pode concorrer uma ínfima minoria. Portanto, fazer justiça é adiar o ENEM. A pandemia já está sacrificando milhares de vidas. A maioria dos estudantes brasileiros não deve ser excluída cruelmente da única chance que possuem de acessar a universidade pública.

É hora de fazer uma ampla mobilização e unidade para derrotar mais uma política desse governo genocida. Nesse momento, pela internet e pelas janelas. Mas as ruas são o nosso lugar, e, mais cedo do que tarde, voltaremos a elas.

Há um ano estávamos fazendo o grande “Tsunami da Educação”, com centenas de milhares na ruas, lutamos por mais investimento e contra Weintraub. Conseguimos barrar os cortes com a enorme mobilização de rua contra o governo Bolsonaro. Vamos nos inspirar nesse dia para seguir adiante. Hoje, dia 15 de maio, continuamos na luta em defesa da educação e da universidade pública! Weintraub, o seu dia vai chegar. Serão os estudantes que vão te derrubar.

Fonte: Esquerda Online

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