Relator do impeachment, Jovair Arantes é investigado na Lava Jato

Desconhecido até agora pela maioria dos brasileiros, o deputado federal pelo PTB de Goiás, Jovair Arantes, assumiu no mês passado a relatoria da Comissão de Impeachment na Câmara dos Deputados após firmar acordo com a oposição e principalmente com o seu aliado, deputado Eduardo Cunha, que seria autor de uma das mais importantes etapas da missão: “tirar Dilma do governo”

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Inaugurada na noite de 26 de outubro de 2014, após a reeleição em segundo turno da presidenta Dilma Rousseff, com mais de 51% dos votos válidos, os derrotados nas urnas, com destacada colaboração da grande mídia brasileira, de parte do judiciário e da elite conservadora, deram início a uma missão “vale-tudo para tirar Dilma do Governo”, com grandes prejuízos ao país e aos brasileiros, mas fundamental para retomar o poder. Para tanto, o plano deveria desqualificar a imagem do ex-presidente Lula, grande liderança do povo e possível candidato em 2018 e da presidenta Dilma Rousseff, com vistas ao impedimento do seu governo.

A primeira etapa da missão era tentar envolver pessoas próximas ao ex-presidente Lula e de Dilma nos esquemas corrupção desbaratada pela Polícia Federal, após prisão e delação de envolvidos em esquema de propina na maior empresa de petróleo do país, a Petrobras.

Apesar do processo de impeachment na Câmara não ter nenhuma relação com a Operação Lava Jato, digamos que a missão manipular parte da opinião pública foi concluído com sucesso.

Atuação na Câmara
Líder da “bancada da bola” na Câmara dos Deputados, Jovair é presidente do Conselho do Atlético Goianiense e atua como um feroz entrave a todas as iniciativas que investigue envolvimento de entidades e empresas de futebol com ilícitos. Como é conhecido por todos, ele é amigo do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, atualmente preso nos Estados Unidos por envolvimento em caso de corrupção e também amigo do presidente licenciado da CBF, Marco Polo del Nero, que é investigado por corrupção nos EUA e no Brasil.

Defensor dos cartolas e da CBF, o deputado foi alvo de várias críticas pela atuação em de 2014 quando apresentou uma emenda que favorecia aos clubes de futebol que possuem dívidas milionárias com o governo federal.

CPI do Futebol

O deputado foi ainda árduo defensor de que não houvesse a abertura da CPI do Futebol na Câmara, em julho do ano passado, que investiga supostas irregularidades cometidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em contratos comerciais. E justificou à época o motivo: “Eu, particularmente, não gosto de CPI. Porque sempre é complicado para você ver as coisas que são ditas ali se realizando efetivamente. Por isso que eu acho que não deveria haver”.

Milhões
Segundo o atlas político, o deputado Jovair Arantes tem um patrimônio declarado de dois milhões e setecentos e cinquenta mil reais, pouco menos do que foi gasto na sua campanha à reeleição em 2014 (dois milhões e trezentos mil reais). A maior doação que o deputado recebeu foi de meio milhão de reais (R$ 500.000.000,00) de uma das maiores indústrias de alimentos do mundo, a JBS S/A, isso mesmo, a Friboi, que não é de propriedade do filho de Lula como já foi inúmeras vezes declarado, mas da família Batista (José Batista Sobrinho – JBS), com sede em Goiás.

Lavo Jato

Após a relevação de um esquema de arrecadação de propinas no Ministério do Trabalho, a Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a Operação Registro Espúrio, autorizada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. Entre os alvos da ação, estão os deputados Jovair Arantes, do PTB de Goiás, e Paulinho da Força, do Solidariedade de São Paulo. Os investigadores apuram fraudes e corrupção no processo de registro de sindicatos. Ao todo, são cerca de 320 policiais cumprindo 64 mandados de busca e apreensão, 8 mandados de prisão preventiva e 15 mandados de prisão temporária, além de outras medidas cautelares.

Os investigados são suspeitos de organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Também são alvos da operação servidores públicos, lobistas, advogados e dirigentes de centrais sindicais.

Reportagem da revista VEJA mostrou como funciona a engrenagem de concessão de registros sindicais no Ministério do Trabalho, com o pagamento de propina a servidores indicados politicamente pelo PTB e pelo Solidariedade. Em uma reunião gravada, dois lobistas que atuam em nome de políticos dos partidos detalham ao empresário Afonso Rodrigues, que desde 2012 tentava registrar um sindicato em Goiás, os custos da operação.

A “conta” da propina ficou em nada menos que 3,2 milhões de reais. Para fechar o negócio, combinaram a assinatura de um “contrato de consultoria”, por meio do qual seriam repassados os valores espúrios.

Fonte: com informações O Vermelho/Estadão

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