MST doa meia tonelada de alimentos da reforma agrária às periferias de Juiz de Fora

Ação conjunta do Levante e Coletivo Vozes da Rua cultiva solidariedade e organização nas comunidades

Foto: Tribuna Hoje

Cerca de meia tonelada de alimentos da reforma agrária foi distribuída neste sábado (9) em bairros da periferia de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. As doações do coletivo de cooperação da Serra do Assentamento Dênis Gonçalves, em Goianá, foram distribuídas em cestas básicas pelo Levante Popular da Juventude, MST e Coletivo Vozes da Rua, durante a campanha de solidariedade Periferia Viva.

Além dos mantimentos básicos, a campanha em combate à pandemia do coronavírus também arrecada doações de produtos de limpeza e itens de higiene pessoal. O laboratório de Química da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) produziu e doou mais de 100 litros de sabão e cerca de 250 barras do produto para ação.

Diariamente criminalizados pelo discurso de Jair Bolsonaro, os movimentos populares constroem uma alternativa aos mais afetados pela atual crise sanitária Brasil. “Não podemos continuar penalizando as camadas mais pobres com cortes no orçamento de políticas sociais, e sim taxar os bancos e as grandes fortunas que nunca deixaram de alcançar seus lucros bilionários”, aponta Bruno Diogo, do setor de produção do MST. “O papel do MST diante desta situação é devolver à sociedade os benefícios de ser contemplado com uma política de assentamento de famílias que é produzir alimentos a partir do trabalho organizado”, conclui, explicando o motivo das doações à campanha.

Mohammed Silva, militante do Levante e integrante do Coletivo Vozes da Rua, é um dos moradores do Bairro Santa Cândida. Ele afirma: “no cenário de fake news e descrença científica que estamos vivendo, é de extrema importância que nós, que lutamos por um projeto popular, mostremos a nossa cara nas periferias, defendendo instituições públicas, como as universidades e o SUS, e mostrando para a periferia que a solidariedade ainda prevalece”.

Primeiro passo

“Com a barriga vazia, não consigo pensar”, cita Mohammed, uma referência às palavras de Chico Science ao considerar a campanha como o primeiro passo para um trabalho de base cuidadoso e consistente. A observação do jovem é exemplificada por Lucineia Erculano, funcionária da Escola Municipal do Santa Cândida, que recebeu e também ajudou a distribuir as doações na campanha. “Para a maioria das crianças do bairro, a merenda oferecida na escola é a única refeição que ela faz no dia. Os pais desses alunos já estavam desempregados ou em trabalhos informais, antes mesmo da pandemia”, reforça.

A escola municipal do bairro também tem sido uma parceira essencial da Periferia Viva, mapeando as famílias em situação de vulnerabilidade na região e colocando em prática o termo “nós por nós”.

Movimento doou também em outras cidades

No dia 23 de abril, o MST doou meia tonelada de alimentos também em Visconde do Rio Branco (MG). Os produtos vieram dos assentamentos da região, como leite, verduras, mexerica, limão, pão, broa, bolo, abacate, feijão, mamão entre outros. Em Tia Velha a doação foi recebida pela representante da Congada Nossa Senhora do Rosário. Já na cidade de Rio Novo (MG), o Asilo Augusto França recebeu trezentos quilos de alimentos do Assentamento Dênis Gonçalves, em 24 de abril.

Fonte: Brasil de Fato

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