Bolsonaro alfineta Mandetta: “Médico não abandona paciente, mas o paciente pode trocar de médico”

Ao defender uso da cloroquina, presidente ironizou frase que ministro disse ao informar que não sairia do cargo

Foto: Carta Capital

O presidente Jair Bolsonaro citou uma frase do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para defender o uso da cloroquina no tratamento contra o coronavírus.

Em transmissão ao vivo nas redes sociais, nesta quinta-feira 9, o presidente da República exaltou a aplicação da substância e defendeu o direito de pacientes à sua aplicação em seus tratamentos.

“O médico não abandona o paciente, mas o paciente pode trocar de médico”, afirmou Bolsonaro.

O presidente faz referência a uma frase utilizada por Mandetta ao declarar que não sairia do cargo. Após sucessivos rumores de que seria demitido, o ministro da Saúde disse que sua profissão o orienta a não desistir de seus pacientes.

Assim como Bolsonaro já disse, os dois têm “se bicado” por defenderem estratégias diferentes para o combate ao coronavírus. Enquanto o ministro da Saúde pede que as pessoas evitem sair de casa, para conter a proliferação do vírus e evitar a sobrecarga dos hospitais, o presidente quer que as famílias ponham os idosos “num canto” e os mais jovens voltem a trabalhar.

Na live, Bolsonaro evidenciou outra divergência com Mandetta. Por um lado, o ministro tem feito consecutivos alertas sobre o uso da cloroquina: segundo ele, não há comprovações científicas sobre a eficácia da substância nos tratamentos contra a covid-19. Por outro, o presidente faz aparições públicas para propagandear o remédio, como visto em seu pronunciamento em cadeia nacional, na quarta-feira 8.

“A gente pergunta para qualquer um. O cara pode dar uma de galo até agora e falar que não. Ó, se tua mãe, teu pai, ou você, com uma certa idade, perceber, e tem alguma comorbidade, alguma doença, e você foi infectado. Você tomaria ou não tomaria?”, indagou, erguendo para a câmera uma embalagem de sulfato de hidroxicloroquina. “Eu também tomaria. Minha mãe está com 93 anos de idade. Tá na cara que ela vai tomar.”

Bolsonaro ainda louvou os médicos que têm optado por utilizar a substância em pessoas contaminadas por coronavírus. Ele parabenizou o Dr. Roberto Kalil Filho, que admitiu ter se submetido à substância em seu tratamento e disse que tem repetido a decisão em outros pacientes.

O Ministério da Saúde não proíbe a utilização do remédio, mas recomenda a aplicação apenas em casos graves e críticos. Ainda assim, a pasta não assegura eficácia, devido à falta de provas robustas da ciência. Por isso, o médico que decide ministrar o remédio deve assumir os riscos. Originalmente, a cloroquina é voltada para vítimas de doenças como malária e doenças autoimunes.

Fonte: Carta Capital

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