“Batom na cueca”, diz Dilma sobre Sergio Moro virar ministro após prisão de Lula

Em Buenos Aires nesta segunda (19), participando do 1º Fórum Mundial de Pensamento Crítico (CLACSO2018), a ex-presidente Dilma Rousseff comentou a decisão de Sergio Moro em virar ministro de Jair Bolsonaro após condenar e executar a prisão de Lula. “A gente pode escolher entre duas metáforas: ou o rei, no caso o juiz, está nu, ou, como dizemos no Brasil, tem ‘batom na cueca'”, comentou a petista.

Foto: Reprodução da internet

“Essas duas hipóteses, que significa uma coisa só, evidenciam o caráter de lawfare que existe no Brasil. Se utiliza do biombo da Justiça para condenar, perseguir, interditar”, explicou.

A presidente deposta afirmou que a “radizalização” desse das leis poderá levar à prisão as lideranças sociais mais importantes do País e vai “servir até contra quem divergir” do próximo governo. “Por isso a necessidade de uma frente democrática. Tem que juntar todos, quem vai combater o autoritarismo, as perdas de direito e a alienação da soberania nacional.”

Dilma comentou que com Bolsonaro o “Brasil entrou numa rota muito trágica. Corremos o risco de sair da democracia e do estado de exceção [que se instaurou depois do golpe do impeachment], que já corrói a democracia, para entrarmos numa variante neoliberal e neofascista.” Na visão da petista, o “impeachment foi feito para reenquadrar o Brasil no neoliberalismo, do qual os últimos governos latino americanos haviam se afastado.”

A presidente deposta afirmou ainda que uma nova forma de fazer política ficou provada com a eleição de Bolsonaro. Muito menos dependente de estrutura partidária e recursos financeiros, mas ligada às redes sociais.

Respondendo a uma das perguntas sobre a influência de ouros países nos fatos que culminaram na vitória de Bolsonaro, Dilma comentou que não tem dúvida de que os interesses estrangeiros tiveram peso nos principais eventos, desde sua queda do poder.

Mesmo no pleito eleitoral, há indícios de que parte da estrutura de fake news montada nas redes sociais teve participação de agentes estrangeiros. “(…) mas a dimensão [dessa influência] precisa ser levantada pela história, porque uma coisa precisa ser dita aqui: a elite brasileira, que muitos chamam de elite do atraso, é competente para dar golpe por si mesmo”, por ideologia e falta de preocupação com o povo.

Ao final, Dilma disse que precisava falar de “algo gravíssimo”: “Em todos os nossos países da América Latima temos de nos preocupar com o papel da Justiça. No Brasil, a Justiça tutelou a democracia e, através da Lava Jato, fez a justiça do inimigo com a desculpa de combater a corrupção.”
“A grande maioria dos corruptos está solta. Quem está preso é Lula, contra quem não há provas, mas delações absolutamente frágeis”, apontou Dilma.
A presidente afirmou que será preciso ao PT fazer alianças pontuais, mas amplas, para combater “todas as formas neofascistas”, para “persuadir a Justiça a barrar todas as características do neofascismo [no governo Bolsonaro]”, principalmente “o uso da violência contra aqueles que eles consideram seus inimigos, e não adversários, políticos.”
Fonte: Diário do Centro do Mundo
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