Universidade Brasileira e o abismo

por Romero Venâncio (UFS)

Foto: UNE

Não é novidade para ninguém que conheça história o ódio de fascistas pela universidade, pela ciência e pelo pensamento crítico.

A necessidade controle e perseguição a docentes é uma constante por parte dessa gente os registros são muitos. Não é novo no Brasil os ataques a universidade pública desde a ditadura de 1964 e mesmo depois dela quando o ensino superior foi se universalizando e acolhendo as camadas populares de um país desigual e de mentalidade escravista.

Desde 2013, os ataques violentos em redes sociais por parte dos grupos de extrema direta se acentuou de maneira visível e desonesta. E esse ataque foi as ruas. Uma gente desqualificada, ressentida e dominada por um obscurantismo religioso (dito cristão!) tomou a dianteira e passou a ser o foco dessa família Bolsonaro.

A chegada a presidência dessa extrema direita no Brasil, foi o sinal de alerta de que o sistema público superior de ensino estava em sérios riscos e que seria a tacado por todos os lados. E não deu outra. O resultado é o que estamos vendo agora em 2020. O que mais choca e torna repugnante em tudo isto é o apoio de docentes e dirigentes dessas mesmas universidades que são violentamente atacadas e a total falta de informação da população sobre o que de fato faz e é a uma universidade pública. Toda uma política de inclusão social dos mais pobres está em risco… Salários, gratificações, pesquisas, bolsas, escolha de dirigentes e convívio urbano estão sendo massacrados a olhos vistos.

E a nossa reação e capacidade de luta não está a altura de tudo isto. Estamos calados, paralisados e sem mobilização forte num momento tão nefasto. O intelectual crítico universitário parece que silenciou. Medo? covardia? prudência? solidão?

O ataque da hora: Universidades e institutos federais de todo o país têm suspendido a chamada de professores aprovados em concursos e, em dois casos, até o pagamento de gratificações previstas em lei após ofício com orientação inédita sobre a execução orçamentária expedido pelo Ministério da Educação. O documento pegou os reitores desprevenidos, pois contraria a prática corrente das instituições. Dirigentes de universidades consideram a postura do governo Bolsonaro um grave ataque às instituições, que pode estrangular suas atividades. Diante da situação, eles procuraram o Tribunal de Contas da União para se informar sobre como proceder.

O ofício que colocou as instituições sob indefinição cita que a dotação do MEC para 2020 caiu de R$ 74,6 bilhões para R$ 71,9 bilhões na tramitação do Orçamento no Congresso e diz que as unidades vinculadas ao ministério —como as universidades e institutos federais— não devem contrair despesas que aumentem o gasto com pessoal se o montante não estiver devidamente autorizado.

Diante de mais um ataque dessa natureza, tão explicito em seu objetivo de destruição do sistema de ensino superior público, me pergunto se haverá um levante interno nas universidades promovido por estudantes, técnicos administrativos ou professores… Urgente e necessário é… Estamos à beira do abismo.

 

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