Precariado: Documentário debate o processo de escravização com o trabalho por aplicativo

O avanço do número de desempregados no país, que se aproxima da marca de 13 milhões de pessoas, colocou cada vez mais trabalhadores no mercado informal. Entrega rápida de comida, transporte por aplicativo, entre outros, têm ganhado força e tomado as ruas das cidades.

Foto: Reprodução da internet

Com os trabalhos por aplicativos, a ideia em que se acreditava no passado, de que o desenvolvimento tecnológico iria libertar o homem, hoje se tornou algo impossível de ser alcançado para a maioria da população. Isso é o que mostra o documentário GIG: A Uberização do Trabalho, que será exibido nesta terça-feira (18), às 19h, no cineclube Vladimir Herzog, no centro de São Paulo, com entrada gratuita. A exibição será seguida de debate.

Produzido pela ONG Repórter Brasil, com a direção de Carlos Juliano Barros, Caue Angeli e Maurício Monteiro Filho, a produção lançada em 2019 aborda o avanço da chamada “Gig Economy”, fenômeno também conhecido no Brasil por “uberização”, e os impactos desse modelo na precarização e intensificação do trabalho em uma sociedade cada dia mais conectada e distópica.

O que se tem hoje é o contrário do que se previa no passado, são pessoas trabalhando 12, 14 horas por dia. “A gente vive um processo em que os avanços tecnológicos permitiram um outro tipo de exploração do trabalho”, afirmou Euzébio Jorge Siqueira de Souza, do Centro de Estudos e Memória da Juventude, no Bom Para Todos, da TVT, quando o documentário foi lançado.

A pesquisa e produção do filme começou em 2017, quando as plataformas digitais começaram a ganhar força. “O momento ainda era de completa euforia com relação ao surgimento desses aplicativos, mas havia uma série de questões relacionadas principalmente às relações de trabalho, pouco debatidas”, aponta Carlos Juliano Barros, jornalista, mestre em Geografia Humana pela USP e um dos diretores.

Essa modalidade de trabalho ganhou respaldo da legislação a partir da reforma trabalhista, aprovada em 2017, que possibilitou o contrato em regime intermitente, em que as empresas podem admitir funcionários por horas, dias ou meses específicos.

O filme, portanto, apresenta histórias daqueles que trabalham sem serem considerados trabalhadores. Com status de “autônomos”, “prestadores de serviço”, “empreendedores” não possuem vínculos empregatícios que garantam seus direitos e assumem todos os riscos de suas atividades.

O documentário foi vencedor do prêmio de melhor filme pelo público na Mostra Ecofalante 2019. O debate após a sessão contará com a participação do diretor Carlos Juliano Barros.

Assista ao documentário

Fonte: Rede Brasil Atual

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