Por que 3.500 mulheres sem terra ocuparam o Ministério da Agricultura?

Agrotóxicos, MP da Grilagem e medidas econômicas de austeridade explicam ocupação temporária de militantes do MST em Brasília

Foto: RA Noticias

Na manhã seguinte ao 8 de março, marcado pelo o Dia Internacional da Mulher com manifestações ao redor de todo o mundo, cerca de 3500 mulheres do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) marcharam em Brasília, em uma continuação de uma série de atos, a fim de ocupar, desta vez, o prédio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Se os impactos da desigualdade de gênero já elencam motivos o suficiente para o protesto das sem-terra, elas trazem, também, a luta pela preservação das florestas e a resistência contra propostas do governo Bolsonaro no campo à tona da ocupação do prédio público, que terminou sem confusões ainda na manhã desta segunda-feira 09.

De acordo com as trabalhadoras, a ação visava “denunciar as políticas nefastas do governo Bolsonaro em relação à economia, terra e agricultura”. Um exemplo levado por elas reside no campo dos agrotóxicos, onde as mulheres enfatizam a liberação recorde ocorrida sob a gestão da ministra Tereza Cristina. Em 2019, foram publicadas 474 autorizações para a obtenção de diversos tóxicos, número que bateu o recorde dos últimos 15 anos do MAPA.

Entre as principais críticas das protestantes e, também, da comunidade científica que observa a evolução do uso dos aditivos agrícolas no Brasil, estão os riscos de contaminação dos lençóis freáticos e a intoxicação de comunidades tradicionais ou sertanejas que estejam próximas às grandes plantações. De acordo com um levantamento feito pela Agência Pública, 1 em cada 5 agrotóxicos liberados no último ano é extremamente tóxico.

Políticas específicas do governo sobre a regulamentação fundiária também estimularam a ocupação do MAPA. Na pauta das mulheres, consta o Decreto nº 10.252, de 2020, que “enxuga a estrutura do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), extingue o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), o programa Terra Sol e outros programas que davam incentivos aos assentados, quilombolas e comunidades extrativistas”, acrescenta o MST.

A medida vem no momento que o governo também avalia a tramitação da chamada “MP da Grilagem” (MP 910/19), que flexibiliza as regras para ocupação de terras públicas, o que, na visão de críticos, legalizaria a prática de grilagem por invasores ilegais.

A pauta econômica também consta no horizonte das trabalhadoras, que acusam o governo de desalentar a população por meio de seu plano de reformas.

“Apesar dos esforços do atual governo para ocultar o fracasso na economia, os brasileiros sentem na pele a queda dos investimentos públicos, que chegaram a ultrapassar R$ 66 bilhões entre 2012 e 2014 e agora, em 2020, tem previsões de ser abaixo de R$ 20 bilhões.”, diz a nota divulgada pelo movimento.

Fonte: Carta Capital

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