Filas no INSS provocam duras críticas à política de Bolsonaro

Políticos de oposição e até jornalistas reforçam que o atual governo voltou com as filas do INSS que as gestões anteriores haviam acabado. “É a cara do ‘estado mínimo’ de Bolsonaro e Guedes: mínimo para os que mais precisam”, afirmou Guilherme Boulos

EXT EN Exclusivo Rio de Janeiro ( RJ ) 07/ 08 / 2013 – Fechamento de posto do INSS de Padre Miguel – Foto Guilherme Pinto / EXTRA / Agencia O Globo

O anúncio de que o governo Bolsonaro recorreria a cerca de 7 mil militares da reserva para diminuir as filas de atendimento do INSS foi alvo de uma série de críticas de políticos nesta quarta-feira (15). A reação ganhou força diante da contrariedade da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps) à medida que prevê reservistas assumindo o trabalho por, pelo menos, seis meses no órgão.

“Bolsonaro ressuscitou as filas enormes do INSS, fenômeno da era Sarney-Collor-Itamar-FHC, que foi extinto pelo Lula. Não bastava ser enrolado até o pescoço com o crime organizado das milícias, submisso aos EUA e refém do mercado financeiro. É também incompetente e irresponsável”, declarou o líder do PT na Câmara, deputado federal Paulo Pimenta (RS).

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), também não deixou passar. “A incompetência do governo Bolsonaro provocou o caos no INSS. Pela primeira vez em anos, reapareceram filas nas agências. 1,3 milhão de pessoas estão com processos encalhados. Desde o dia 13 de novembro, nenhum pedido de aposentadoria foi atendido. Os pobres pagam o pato”, afirmou o senador.

Candidato à presidência na últimas eleições pelo PSOL, Guilherme Boulos criticou aquilo que chamou de política econômica do ministro Paulo Guedes. “Milhares de brasileiros estão desesperados na fila do INSS tentando receber aposentadoria e auxílio-doença. Desde o início de 2019, o órgão perdeu mais de 6 mil servidores. É a cara do ‘estado mínimo’ de Bolsonaro e Guedes: mínimo para os que mais precisam”, escreveu em suas redes.

Vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA) recorreu à ironia para criticar a medida federal. “E aparece a maior obra do governo  de Jair Bolsonaro: as imensas filas do INSS. O discurso também foi seguido pela colega de partido, deputada Perpétua Almeida (AC).

“Bolsonaro demonstra não entender mesmo o papel das Forças Armadas, que viraram o ‘Posto Ipiranga’ do seu governo. Por que não chamar servidores aposentados do INSS? Por que não um concurso provisório para atender a juventude que concluiu a faculdade e continua desempregada?”, questionou.

A medida parece ter caído mal até para jornalistas de longa data no setor econômico. Vicente Nunes, editor de economia há 20 anos no jornal Correio Braziliense, usou suas redes sociais para comentar a decisão. “Depois de tanto sofrimento por parte dos trabalhadores, secretário da Previdência, Rogério Marinho, diz que o atendimento do INSS sempre foi prioridade para o governo Bolsonaro. Me engana que eu gosto”, disse em resposta ao tuíte do porta-voz do Governo.

Nesta quarta-feira (15), em entrevista à imprensa, Jair Bolsonaro havia afirmado que, até o fim do mês, militares já estarão ajudando na força-tarefa para tentar reduzir o atraso na análise de pedidos de aposentadorias e benefícios, como auxílio-doença e o BPC (pago a idosos carentes e deficientes).

O anúncio de que o governo Bolsonaro recorreria a cerca de 7 mil militares da reserva para diminuir as filas de atendimento do INSS foi alvo de uma série de críticas de políticos nesta quarta-feira (15). A reação ganhou força diante da contrariedade da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps) à medida que prevê reservistas assumindo o trabalho por, pelo menos, seis meses no órgão.

Fonte: Brasil 247

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