Acampamento Sem Terra é vítima de despejo em MG

Polícia age com truculência durante despejo no Acampamento Quilombo Campo Grande

Foto: Gean Gomes-MST

Na madrugada desta quarta-feira, 12, centenas de viaturas e policiais cercaram a cidade de Campo do Meio, para realizar o despejo na área do entorno da sede da antiga Usina Ariadnópolis e na Escola Popular Eduardo Galeano.

Viaturas e drones atormentaram a paz das famílias acampadas, desde o dia 30 de julho, quando a polícia invadiu casas e levou um Sem Terra preso. A ação foi realizada sem mandado. O MST denunciou o objetivo de coagir e incriminar os trabalhadores, o que foi confirmado com a soltura de Celso Augusto no mesmo dia, e a nota publicada pela polícia civil.

“Um facão e fogos de artifícios foram apreendidos no local, e um indivíduo preso por resistência”, dizia.

Os dias seguiram tumultuados, com a intensificação da denúncia do despejo iminente, a busca de saídas jurídicas junto ao Ministério Público e a organização do acampamento para a resistência. Em meio à corrida contra o tempo, circularam dezenas de áudios das famílias denunciando as ações autoritárias, as rondas de viaturas aceleradas, as blitz nas estradas de acesso à pequena cidade.

Foto: Gean Gomes-MST

Em contraponto, também foram dezenas de vídeos em apoio. Manifestações em cartas enviadas ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais e na moção on line envolveram representantes de 24 países (Brasil, Grécia, Estados Unidos, Reino Unido, Colômbia, Austrália, Alemanha, Espanha, Nova Zelândia, Irlanda, Nigéria, Noruega, Itália, Hungria, França, Venezuela, Suíça, Uruguai, Emirados Árabes Unidos, Nicarágua, México, Africa do Sul, Israel, Bélgica) e de 32 entidades internacionais e nacionais, 98 coletivos e representações acadêmicas.

O Conselho Estadual de Direitos Humanos (CONEDH), a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM), a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil/Seção Minas Gerais, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e a Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDESE) alertaram, sem obter respostas, o Tribunal de Justiça para os riscos diante da pandemia. O documento afirma que “diante da iminência de uma lesão irreparável e grave aos Direitos Humanos e ao direito à saúde, solicita-se a suspensão da ordem de cumprimento da liminar possessória para desocupação do imóvel”.

Sem amparo do governo Zema, aliado dos estelionatários, ex proprietários das terras, as famílias foram abrigadas pelo MST no assentamento próximo ao local. “Essa é a realidade qua do se coloca fascistas no governo. Mesmo sendo de conhecimento de todos a manobra corrupta feita com o juizeco local, nenhum órgão público conseguiu interceder para que as famílias ficassem em suas casas, mesmo no meio da pandemia. Mas nós aprendemos sempre a voltar mais fortes. E eles podem esperar, vai ter retorno. Essa terra é nossa por direito e não abrimos mão de nenhuma centímetro dela”, alerta Tuira Tule, da direção estadual do MST.

Foto: Gean Gomes-MST

São 22 anos de conflito e resistência no território, lidando com pistoleiros, a mando de Jovane de Souza Moreira. Após enfrentar cinco despejos, em diferentes áreas, as famílias do MST conhecem o caminho para retornar com mais força e conquistar a terra. Na área, estava em construção um polo de conhecimento e tecnologia em agroecologia.

Fonte: Gianine/MST

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