QUEREMOS VIVER! Um olhar sobre o Feminicídio em Belo Horizonte

A dura realidade de ser mulher numa sociedade machista que finge não ver. Um olhar sobre o feminicídio em Belo Horizonte

Por Indira Xavier*

Foto: sindigrus

 

Todas elas tinha nomes e deixaram família, Luciana, Nathalia, Victoria e Ludmila, todas barbaramente assassinadas. Vitimas de uma violência que só tem aumentado em nosso estado, a possessão, o sentimento de propriedade, o ciúme, a agressão física, psicológica e moral, todas faces de uma mesma violência que vitima milhares de mulheres todos os dias.

Em um ano 433 mulheres foram assassinadas em Minas Gerais, pelo simples fato de serem mulheres. Isso mesmo! MULHERES! Já que seus assassinos foram seus companheiros e/ou ex companheiros. Um aumento de 29% se comparado com os feminicidios de 2015; enquanto os dados de segurança dão conta de uma redução nos homicídios de 5,5%, os assassinatos de mulheres cresceram 6,1%.

Em um ano, a justiça do estado emitiu mais de 25mil medidas protetivas para mulheres em situação de violência e ameaça a suas vidas, ou seja, quase três medidas por hora, um aumento de 8% se comparado com o ano anterior.

Se mais mulheres estão denunciando e se mais mulheres estão morrendo, o que falta fazer para que o estado tome uma providencia que nos mantenha vivas?

Como levar a serio uma política de enfrentamento a violência contra as mulheres, em um estado que possui mais de 850 municípios e que tem pouco mais de 70 Delegacias Especializadas em Atendimento a Mulheres? E se não achamos importante essa medida, não nos esqueçamos de Laís, assassinada dentro de uma viatura da PMMG, pelo seu ex-companheiro, enquanto era levada para prestar queixa em Teófilo Ottoni, já que em sua cidade não havia delegacia para esse tipo de situação.

Como falar que a policia está ai para proteger as mulheres se Luciana, Nathalia, Victoria e Ludmila foram assassinadas por policiais, assim como Sthefania, assassinada em 15/04/2018, pelo seu ex companheiro e também policial? São esses mesmos agentes que, quando mulheres chegam em delegacias para prestar queixa, as desqualificam e muitas vezes as desencorajam a seguirem com as denuncias.

Como as mulheres que denunciam podem se sentir seguras se, na maioria dos casos, o que a justiça oferece é um papel, já que não existem casas abrigo e centros de referência em todos os municípios? Aliás, quantas são mortas e agredidas mesmo possuindo uma medida protetiva?

Está claro que, mesmo sendo mais de 50% da população, mesmo estando na produção e nos espaços públicos, quando se trata de violência contra nós, mulheres, a máxima que prevalece é a de que estamos em situação de violência porque queremos, de que não se deve meter a colher e, tão pouco, destinar políticas e recursos para enfrentar esse mal que vitimou mais 145 mil mulheres em 2017 em Minas Gerais, que assassinou e assassina uma de nós a cada uma hora e meia e que estupra uma de nós a cada 11 minutos.

O estado não pode ser conivente com essa violência e a sua omissão tem nos matado ainda mais! Basta! Pelo fim de toda a violência contra as Mulheres! Nenhuma a menos!

* Indira Xavier é líder do Movimento de Mulheres Olga Benario e ativista na Casa de Referência da Mulher Ocupação Tina Martins

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