Situação de imigrantes em BH é preocupante

Imigrantes sofrem preconceitos e passam por dificuldades em Belo Horizonte. Nossa equipe conversou com imigrante e descobriu a triste realidade que mora bem debaixo do nosso nariz

Ao transitar pelo centro de Belo Horizonte, é impossível não se deparar com vendedores com suas bancas montadas nas calçadas, lutando para venderem seus produtos, fugindo da repressão dos agentes municipais e tentando legalização junto à Prefeitura. Mas, muitos destes, são imigrantes que sem oportunidades acabam por ter de venderem seus produtos.

Estudos da UFMG demonstram que o comércio é a maior inserção de imigrantes em BH, principalmente para recém-chegados, dadas as dificuldades de reconhecimento de diplomas, de linguagem, entre outras. “O comércio é o ramo que permite uma inserção mais imediata dos recém-chegados”, reforça a professora do Departamento de Sociologia da UFMG, Elaine Vilela.

De acordo com a Polícia Federal, dos 35 mil estrangeiros em Minas, 70% estão na capital. É como se a cidade tivesse recebido a população inteira de Buritis, no Noroeste de Minas.O Estado é o sexto do país no recebimento de estrangeiros, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, nessa ordem. Haitianos, chineses, colombianos, portugueses, italianos e argentinos são a maioria.

Modou Atchie, 28 anos, senegalês, é um destes 35 mil imigrantes. De sorriso fácil, olhar altivo, alegria marcante, Modou nos concedeu uma entrevista na Praça Sete, local onde vende bijou terias, cordões e pulseiras na sua banca. Modou veio para o Brasil com um sonho no coração “trabalhar, ganhar dinheiro para ajudar sua família no Senegal”. Com a ajuda de familiares, comprou sua passagem e veio com seu irmão para o Brasil em novembro de 2014.

Em Kaulac, no Senegal, Modou trabalhava na indústria frigorífera de frangos. Tinha uma formação profissionalizante, porém os baixos salários e o anseio de poder melhorar de vida o trouxeram para BH. Ao chegar aqui, tentou conseguir emprego no mesmo ramo que trabalhava no país africano, porém foi discriminado por não saber falar o português, por não ter o conhecimento técnico necessário, que não havia empregos para imigrantes, etc. O sonho de Modou começa a se distanciar.

Ele resolve então, comercializar produtos, como ambulante pelas praças de BH, e com sua banca de produtos africanos, no Minas Tchê, e as vezes viaja a Uberlândia para vender seus produtos, ou como preferia dizer “fazer feira”.

Modou sofreu diversos preconceitos desde que chegou aqui ao Brasil: em seu ponto de comércio, onde os próprios outros vendedores ambulantes o hostilizam por ser imigrante e por querer vender seus produtos ali, no prédio onde mora, com seu irmão e um amigo, também africano, em que todos os problemas que ocorrem no prédio, o síndico e alguns moradores os acusam dizendo “o cano entupiu, é por causa dos africanos”, “a água está com vazamento, é culpa dos africanos que usam muita água”. Com olhos pesados de lágrimas, ele afirmou “estou muito triste, pois sempre ouvia falar da alegria, do amor e do carinho dos brasileiros, mas não é isso que tenho visto em muitos deles. Estou decepcionado com o Brasil.”

Modou, nos contou ainda que nem mesmo os documentos consegue tirar, pois a Polícia Federal manda entrar na internet, mas o site da PF não tem tradução para o francês, língua nacional do Senegal.

Mesmo com toda a dificuldade financeira que passa, Modou manda todo mês uma quantia de dinheiro para ajudar sua mãe e irmãs que ficaram no Senegal. Seu único apoio aqui, são os irmãos de fé da Mesquita Muçulmana que Modou frequenta, e que o ajudam na inserção no país e com alguns mantimentos.

Ao encerrar a entrevista, Modou nos pediu ajuda, quer seja com um trabalho, pois precisa de dinheiro para seu sustento e para enviar para sua família, quer seja com um abraço de apoio e solidariedade.

Nota da Redação: Encerramos esta matéria, muito tristes pela situação em que Modou, seu irmão pequeno e tantos outros imigrantes passam bem aqui na nossa cidade, na Praça Sete, local típico de passagem da capital mineira. Encerremos esta nota, pedindo encarecidamente aos que ainda pulsam em seus corações o amor ao próximo e que puderem ajudar de qualquer forma, quer seja com alimentos, roupas, vaga de emprego, disponibilidade do seu tempo, dinheiro, enfim, de qualquer forma, que entrem em contato pelos números abaixo:

(31) 99670 4022 ou (31) 9734 92708

#Amor ao próximo isso vale a pena

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