UFMG desmente ministro da educação sobre “drogas sintéticas”

Investigação mostrou que universidade não tinha relação com produção de drogas, desmentindo acusação do ministro

“O Conselho Universitário repudia o fato de que uma autoridade da República ocupe-se em divulgar informações sem lastro com a verdade” / Reprodução UFMG

O Conselho Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) lançou nota, nesta segunda (25), desmentindo informações divulgadas pelo ministro da educação, Abraham Weintraub. Na última sexta-feira (22), o ministro atacou novamente as universidades federais durante uma entrevista para o Jornal da Cidade. “Tem plantações de maconha, mas não são três pés, são plantações extensivas de maconha em algumas universidades. (…) Você pega um laboratório de química desenvolvendo drogas sintéticas, metanfetamina”, diz o ministro na entrevista.

No mesmo dia, para comprovar sua afirmação, Weintraub compartilhou duas notícias. A primeira sobre a apreensão de pés de maconha na Universidade de Brasília e a segunda, com a legenda “Drogas sintéticas na UFMG”, a notícia sobre uma operação da Polícia Civil que prendeu cinco pessoas no campus da universidade em Belo Horizonte por tráfico de drogas, em maio de 2019.

Na nota de esclarecimento, a UFMG informa que, com o fim das investigações, foi possível comprovar que “nenhum dos acusados é estudante ou servidor da UFMG, nem têm qualquer vínculo com a Instituição”. A universidade nega veementemente o uso de suas dependências para a produção de drogas. “Não há na sentença qualquer prova ou sequer indício que ampare a acusação improcedente de que houve uso dos laboratórios de química da UFMG para a fabricação de drogas ilícitas. O magistrado conclui que ‘deve ser frisado, que não existe nenhuma prova de que a direção das faculdades que serviram de palco para o delito tenham, de algum modo, concorrido para o fato criminoso ou mesmo tenham oficialmente sido cientificados da ocorrência'”, diz a nota.

Segundo a nota do Conselho Universitário, é lamentável que o ministro da educação, “a quem caberia cuidar e promover as Universidades Federais”, esteja ocupado em divulgar informações sem lastro com a verdade.

Leia na íntegra:

Em entrevista divulgada recentemente, o Ministro da Educação acusou as Universidades Federais de terem “plantações extensivas de maconha” e afirmou que “laboratórios de química” das universidades se transformaram em usinas de fabricação de drogas sintéticas, como metanfetamina. Numa postagem publicada em rede social no mesmo dia, o ministro fez menção lacônica a “drogas sintéticas na UFMG” ao divulgar o link para uma matéria jornalística, publicada há seis meses, com o título de “Polícia apura se insumos da UFMG são usados para fabricar drogas”.

Diante dessas acusações, o Conselho Universitário, reunido nesta data, julga-se no dever de vir a público e prestar, com respeito e compromisso com a verdade, esclarecimentos às comunidades interna e externa. A ação policial a que se refere a matéria jornalística, ocorrida em maio deste ano, resultou na prisão de pessoas suspeitas de tráfico de drogas nas dependências da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Findas as investigações, com as quais a UFMG prontamente colaborou, a sentença judicial, proferida em 24/10/2019, pelo Juiz de Direito da 3ª Vara de Tóxicos da Comarca de Belo Horizonte, da qual o MEC foi notificado, deixa claro que nenhum dos acusados é estudante ou servidor da UFMG, nem têm qualquer vínculo com a Instituição.

Além disso, não há na sentença qualquer prova ou sequer indício que ampare a acusação improcedente de que houve uso dos laboratórios de química da UFMG para a fabricação de drogas ilícitas. O magistrado conclui que “deve ser frisado, que não existe nenhuma prova de que a direção das faculdades que serviram de palco para o delito tenham, de algum modo, concorrido para o fato criminoso ou mesmo tenham oficialmente sido cientificados da ocorrência”. Esses elementos são absolutamente claros para descartar como indigna e repugnante, além de caluniosa, a tentativa de associar a UFMG e seus laboratórios a práticas como a produção de drogas ilícitas.

É fundamental, ainda, mencionar que, desde a notificação da ocorrência, a UFMG esteve à disposição das autoridades para o enfrentamento de um grave problema que atinge toda a sociedade e requer políticas públicas eficazes e articuladas. A esse respeito, cumpre lembrar a nota divulgada pelo Conselho Universitário em 31/05/2019, que já reiterava de modo inequívoco que “a UFMG não pactua com práticas ilegais e que ferem a dignidade humana e reafirma a permanente disposição da Instituição de cooperar com as autoridades”.

Além disso, a UFMG tem atuado, no exercício de sua autonomia, na implementação de medidas complementares de segurança, como a instalação de câmeras e controle de acesso, a revitalização das entidades de representação discente e dos espaços a elas dedicados, a reforma de espaços físicos e a implementação de melhorias na iluminação dos campi. Além de ser uma instituição de qualidade reconhecida nacional e internacionalmente, a UFMG é um patrimônio do povo brasileiro que, ao longo de seus 92 anos de existência, tem tido enorme impacto na educação, na ciência, na saúde, na cultura e na tecnologia do Estado e do País.

A disseminação de informações falsas sobre as Universidades Federais constitui não apenas uma ofensa à honra e à imagem dos servidores docentes e técnico-administrativos em educação e estudantes dessas instituições, mas também um desrespeito com o patrimônio público do Brasil. O Conselho Universitário repudia o fato de que uma autoridade da República, a quem caberia cuidar e promover as Universidades Federais, ocupe-se em divulgar informações sem lastro com a verdade. Ao mesmo tempo, reitera o compromisso da UFMG com a observância dos preceitos legais, com o respeito aos direitos humanos e com a convivência responsável, pacífica e respeitosa de toda sociedade.

Belo Horizonte, 25 de novembro de 2019.

Profa. Sandra Regina Goulart Almeida

Presidente do Conselho Universitário

Fonte: Brasil de Fato

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