Tribos afetadas pela Lama tóxica da Vale estão desassistidas pela empresa

Indios que habitam às margens do Rio Paraopebas e que sofrem as consequências do crime da Vale S.A e sua lama tóxica, denunciama morte de peixes e s animais e contaminação da população.

Indígenas participam dos atos em Belo Horizonte contra o crime da Vale no córrego do Feijão

Em entrevista à nossa equipe, o Cacique Hãyó, líder da Tribo Pataxós, e o vice cacique Sú denunciaram diversas mazelas que as famílias da tribo vem sofrendo desde que a lama tóxica devastadora da Vale, que depois de varrer o Córrego do Feijão, em Brumadinho e que desceu o rio e atingiu a região.

“Toda a nossa região, nossas famílias e o nosso alimento foram atingidos por essa lama. Os efeitos desse crime são sentidas por todos.” Afirma Hãyó.

Desde o acontecimento do crime da Vale, 8 crianças já tiveram que ser encaminhadas ao hospital, com diarréia, vômitos e infecções por contaminação da água. A Vale tem prestado um apoio mínimo, e nossas famílias estão desassistidas, afirma o vice cacique Sú que relatou a nossa equipe que os alimentos doados pela empresa, são congelados e que tem causado mal estar nos mais idosos da tribo.

A tribo se situação nas duas margens do Rio Paraopebas, em São Joaquim de Bicas, onde vivem 27 famílias, e mais de 100 pessoas. Sú contou ainda que o apoio do poder público, como assistência de saúde, odontológica e psicológica não tem sido eficazes, “Eles só aparecem aqui de vez em quando. Nós precisamos da atenção do governo aqui. Temos idosos e crianças que precisam de cuidados.”

Perda da identidade: a ligação do povo com o rio

Além das perdas materiais, há as perdas imateriais, que aos olhos de muitos passam despercebidamente, mas que para a tribo é extremamente importante. A ligação com o rio, de onde tiram o principal sustento com a pesca e a caça. Perder tudo isto, sem um prévio aviso, sem sequer ao menos poder ter a opção de encontrar um novo lugar que ofereça as mesmas condições. Mas isto por si só não resolve o problema, porque há toda uma interação da tribo e o chão, a terra, o espaço geográfico que foi dura e severamente destruído pelo lobby dos governantes, e lucro e ganância da mineradora.

É preciso que de uma vez por todas, os crimes do uso indevido e inescrupuloso de barragens seja punido exemplarmente, para que novos crimes como o da Samarco, em Mariana e o da Vale em Brumadinho, nunca mais se repitam. E que populações inteiras, como nossos indígenas, os atingidos do Córrego do Feijão e o desastre ambiental de poluição do Paraopeba.

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