Rompimento da Barragem em Brumadinho era questão de tempo

Documento aponta que barragem era segura, mas recomendou melhorias. Mineradora afirma ter acatado as sugestões. Tragédia deixou 134 mortos, e 199 estão desaparecidos.

Foto: Léo Vieira/ Planeta MG

O desastre do rompimento da barragem em Brumadinho era anunciada anos antes, por funcionários e empregados de empresas terceirizadas da Vale.

Um laudo de vistoria feito em 2018 sobre a barragem I da Mina do Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, detectou problemas no sistema de drenagem da estrutura.

A barragem, que estava sem receber rejeitos desde 2015, rompeu em 25 de janeiro despejando um tsunami de água, terra e rejeitos sobre funcionários da Vale e moradores da região. Até segunda-feira (4), 134 mortes haviam sido confirmadas e 199 pessoas seguiam desaparecidas.

O laudo foi feito pela empresa alemã Tüv Süd, a pedido da Vale, e conclui pela estabilidade da estrutura. Mas registra que, em determinada área da barragem que estava parcialmente saturada de água, havia um dreno seco. Outros continham trincas de onde vertia água.

A nota diz ainda que a barragem era monitorada por 94 piezômetros, equipamentos especiais, e 41 indicadores de nível da água. As informações dos instrumentos eram coletadas periodicamente e todos os dados analisados pelos geotécnicos responsáveis pela barragem.

Em entrevista à nossa equipe de reportagem, Alci Carlos dos Santos, ex-funcionário de uma empresa terceirizada que prestava serviços à Vale, relatou que a empresa negligenciou diversos sinais que a barragem estava comprometida.

Alci, dando entrevista à Rede Band

Alci Carlos, perdeu a ex-esposa e outros dois primos no desastre-crime da Vale em Brumadinho, MG. Alci trabalhou por cerca de 3 anos na parte de limpeza de vagões de minérios de ferro da mina do Córrego do Feijão e no momento do acidente havia saído a poucos instantes da fazenda Nova Instância, onde trabalhava, e o mesmo local em que sua ex-esposa que encontrava-se descansando no recesso de almoço, e acabou sendo engolhida pelo mar de morte produzido pela lama tóxica.

Ela era uma guerreira! Mulher como esta eu nunca mais vou encontrar. E agora, o que vai ser dos meus filhos sem a mãe?

Cristina Paula de Araújo, 40 anos, trabalhava como doméstica na fazenda Nova Estância, e que junto com mais seis funcionários foram tragados pelo mar de morte da lama da Vale.

A barragem, embora estive seca, visivelmente por cima, mas se cavasse por cerca de 30 cm ia ver que a terra estava úmida e cedendo, afirma Alci. Os técnicos da Vale retiravem amostras com frequência, mas somente da parte seca, nunca de onde realmente poderia dar problema.

Local onde ficava a parte administrativa da mineradora Vale em Córrego do Feijão
Foto: Léo Vieira

De nada Vale a Vida

Embora o apoio prestado pela Vale tenha uma infraestrutura de dar inveja, o acolhimento e resolução de problemas efetivamente, deixa e muito a desejar. Moradores reclamam da velocidade em apoiar as famílias dos atingidos e relataram que na certidão de óbito consta:

“falecido em evento de catástrofe”. Isso é um absurdo, que evento? morreu numa festa? porque eles não dizem a verdade e assumem os seus erros?, denuncia Alci.

Já se passaram 12 dias desde o rompimento da barragem, e até agora a Vale ainda não revelou com exatidão a porcentagem e composição da lama tóxica de dejeitos da Mina do Córrego do Feijão. Por que a cisma em omitir, porque a relutância em não mostrar a verdade? porque tantas coisas a se esconder?

Com certeza, de nada VALE a vida pra vale.

Fonte: com informações do G1

 

Comentários

Deixe uma resposta