Não somos estatísticas, somos a força motora desse país

Por Marianna Dias

Foto: O Reacionário

Desde que temos denunciado o golpe neste país a UNE tem afirmado que os retrocessos tem nos tirado a possibilidade de futuro dos jovens, mas a verdade é que do presente também. Sempre soubemos que a juventude é uma das parcelas mais vulneráveis da população, e neste período de recessão são os que tem sangrado.

Em dois anos de golpe, sob o desgoverno de Temer, o Brasil o Brasil ganhou 1,7 milhão de desempregados. É a taxa mais alta desde 2012.

E os jovens são de fato um dos grupos mais afetados pelo aumento no desemprego. Nos três primeiros meses do ano foram 13,7 milhões de brasileiros sem salário e houve redução da quantidade de trabalhadores com carteira assinada – resultado diferente de quem defendeu a Reforma Trabalhista que, mesmo retirando direitos, parece que não ‘pegou’ entre o patronato.

A diminuição de postos de trabalho foi observada na indústria, na construção e no comércio. A queda também foi registrada nos trabalhos informais e quem diz isso tudo é o IBGE. Só os jovens sem trabalho são 7,61 milhões. E claro, as taxas são maiores no Nordeste, entre os jovens e negros, mulheres e com menor escolaridade.

Pois bem, se não estão trabalhando estão estudando certo? Errado.

As matrículas no ensino médio caíram 1,5 milhão no momento que se esperava o contrário segundo pesquisa do MEC de 2017. No ano passado também mais de 170 mil brasileiros, com idades de 19 a 25 anos, abandonaram e tiveram de adiar o sonho de ascender socialmente pelos estudos cursando uma faculdade ou um curso técnico.

Nota técnica da pesquisa da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua explica que, para tentar manter um padrão de consumo tolerável na família, os choques negativos no mercado de trabalho absorvido pelos membros da família de idade mais avançada seriam compensados pela inserção de membros mais jovens que se mantinham mercado de trabalho. Quem fazia apenas um estágio, teve que procurar um emprego em tempo integral, ou quem só estudava, teve que arregaçar as mangas e conseguir alguma coisa para compensar o pai ou mãe desempregados. Nessa situação, valia todo tipo de subemprego a que os jovens são submetidos. É triste, mas na concorrência entre estudo e trabalho ganhava a sobrevivência, o arroz e o feijão na mesa.

A PNAD Contínua revelou ainda um aumento da transição da ocupação informal para fora do mercado de trabalho em todas as faixas etárias.

Ou seja, o alarme tem razão: a interação entre diminuição do trabalho formal e saída da informalidade contribuiu para intensificar o desemprego dos jovens em todas as faixas etárias.

Resultado: nem estudando, nem trabalhando. Aumentou é a taxa dos fora de emprego, dos sem estudo e logo dos sem esperança. Diminuiu a possibilidade de uma vida digna, de um diploma, da casa própria. Enquanto estivermos submetidos a esse governo que não pensa no povo, seremos apenas números a se lamentar.

Não somos estatísticas, somos a força motora desse país. As eleições estão aí e é imprescindível que próximo governo tenha uma plataforma política que nos contemple como força estratégicaque somos para voltarmos a crescer, superarmos essa crise e para caminharmos para o Brasil que a gente sonha.

Marianna Dias é Presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE)

Fonte: O Vermelho.org

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