Casamentos coletivos LGBTs: resistências afetivas contra o retrocesso

Por receio de mudanças que revoguem a legalidade da união homoafetiva, ONG realizou ato de celebração e resistência

Cerimônia realizada na Casa 1. Segundo organizadores, “é um monumento de resistência”. (Foto: Casa 1/Reprodução)

ONG Casa 1 realizou neste domingo, (16), um casamento coletivo que reuniu mais de 40 casais LGBTs no centro de São Paulo. Com a vitória de Jair Bolsonaro (PSL), muitos desses casais temem a revogação das resoluções de 2011 e 2013 do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça, respectivamente, que permitiram a união civil homoafetiva no Brasil. Nos últimos dois meses, cidades como Belo Horizonte (MG), Teresina (PI), Aracaju (SE), Recife (PE) e Goiânia (GO) receberam casamentos coletivos, a maioria deles organizada colaborativamente.

As decisões da justiça brasileira garantem, pelo menos até agora, que casais heterossexuais e homossexuais tenham os mesmos direitos matrimoniais, como plano de saúde conjunto, partilha de bens, herança etc. No entanto, a mudança ainda não virou lei, o que torna o precedente do casamento homoafetivo mais vulnerável às movimentações políticas do novo governo. Desde 2013, mais de 15 mil uniões homoafetivas foram oficializados nos cartórios de todo o país.

Resistência coletiva

Em São Paulo, o evento foi financiado através de uma vaquinha virtual, que arrecadou R$ 47.045,00 reais (dois mil a mais que a meta inicialmente estabelecida), e uma série de voluntários para funções como a preparação do buffet, a maquiagem dos noivos e a cobertura multimídia.

“A gente abriu chamadas no Facebook para os grupos de trabalho: do buffet, de audiovisual, de maquiagem e cabelo e de produção, e as pessoas começaram vir”, explica Bruno Oliveira, coordenador da Casa1 e parte da organização do evento.

Para ele, o casamento representa uma luta que transcende os limites da comunidade LGBTQI+ (Lésbicas, Gays, Bisexuais, Transexuais, Queers, Intersexuais e outros): “É possível que as pautas de diversidade, as pautas do movimento negro, das mulheres, LGBT, sejam usadas como cortina de fumaça para muitos desses ataques que ferem a população inteira – e não só nós – como o desmonte do SUS (Sistema Único de Saúde), da educação e de toda a estrutura pública”, diz

“Por isso, para nós, esse casamento é um monumento de resistência. De afeto, de luta, quase que uma estratégia de fortalecimento de um grupo como um todo. Um chamado para estarmos todos atentos e fortes. E ele enquanto proposta não se encerra em si, é parte de um contínuo de lutas e disputas que já estão aí e já estão por vir”, completa Bruno.

A Casa 1 desenvolve trabalhos de acolhimento voltados à comunidade LGBTQI+ em sua sede, onde há também uma biblioteca. Além disso, a instituição mantém um centro cultural chamado Galpão 1. Ambos os espaços ficam no bairro da Bela Vista. Clique aqui para apoiar e financiar os projetos da Casa 1.

Fonte: Brasil de Fato

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