Agrotóxicos: um mercado bilionário de morte

Recentemente o Ministério da Agricultura liberou mais 63 agrotóxicos, totalizando 325 pesticidas que tem seu uso liberado no país. O ritmo de liberação destes agrotóxicos neste ano é o mais alto da histórica do ministério, iniciada em 2005

Foto: Reprodução da internet

Somente em 2010, o mercado mundial de agrotóxicos movimentou US$ 51,2 bilhões de dólares, enquanto que no Brasil foram US$ 7,3 bilhões. As seis maiores empresas de agrotóxicos do mundo: a Basf, Bayer, Dow, Dupont, Monsanto e Syngenta, controlam hoje 66% do mercado mundial. E, no Brasil, as dez maiores empresas foram responsáveis por 75% da venda nacional de agrotóxicos na última safra. Estas seis maiores empresas do setor estão comprando as empresas menores, tanto de agrotóxicos, quanto de sementes, formando monopólios e oligopólios.

De acordo com o professor Victor Pelaez, da Universidade Federal do Paraná, coordenador do Observatório da Indústria de Agrotóxicos, a tendência é de que as grandes empresas continuem adquirindo as pequenas: “Existe um ciclo vicioso porque para baixar os preços é preciso produzir em escala maior, e, portanto, as menores empresas não têm condição de se manterem no mercado com os preços menores. Por isso cada vez o mercado se concentra mais”, explica.

Foto: Brasil de Fato

Para Pelaez, o quadro é preocupante, pois as empresas passam a controlar cada vez mais também os alimentos que as pessoas vão consumir: “Essa dependência a um número muito pequeno de empresas que produzem sementes e todos os insumos é extremamente arriscado para a soberania de qualquer país, não só do Brasil. Essas empresas controlam também o comércio internacional de grãos e definem em primeira instância as políticas agrícolas e alimentares de grande parte do planeta”, alerta.

Pelaez defende ainda que quase todas as grandes corporações do ramo de agrotóxicos adquiriram empresas de sementes nos últimos anos, e aquelas que não participam desse esquema acabam ficando de fora do mercado.

“Ao vender para o agricultor, a empresa faz o pacote com a semente e o agrotóxico junto, com uma série de facilidades. Isso dá uma competitividade fantástica às empresas que conseguem ter esse portfólio de produtos. É o que chamamos de economia de escopo. Elas podem dar um desconto grande num produto e ganhar dinheiro em outro produto, e com isso vai faltando espaço e recursos para as empresas que não tiverem essa estratégia” detalha.

No final do ano passado, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou um relatório sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde da população. O texto aborda inúmeras evidências dos malefícios desses venenos e da falta de controle na utilização dos produtos. Dentre as inúmeras recomendações do documento, está a necessidade de melhoria das informações repassadas pelas empresas aos órgãos de fiscalização.

Foto: Dinheiro Rural

Os dados sobre o mercado mundial de agrotóxicos revelam que esse comércio e o modelo de agricultura que o sustenta não mostram sinais de enfraquecimento, pelo contrário, de 2000 a 2010, este mercado cresceu 190% no Brasil e 93% no mundo. Durante a ultima safra (segundo semestre de 2010 e primeiro de 2011), foram produzidos 833 mil toneladas de produtos em 96 empresas analisadas, do total de 130 cadastradas no país. A América Latina detém 22% do mercado mundial de agrotóxicos, sendo que o Brasil, sozinho, é responsável por uma fatia de 19%.

Pelaez caracteriza o modelo hegemônico na agricultura mundial como altamente excludente e dependente de subsídios do poder público, uma vez que tentativas de implantação desse modelo agrícola na África, por exemplo, em países que não tinham recursos financeiros para subsidiar sua implantação, fracassaram. A indústria de sementes, agrotóxicos e fertilizantes na verdade é subsidiada pelas populações em geral em apoio de seus governantes.

Mudança de classificação tenta amenizar seus males. Foto: Reprodução da internet

O controle no uso de agrotóxicos na produção agrícola, pecuária ou extrativista é uma necessidade urgente, tanto para nossa saúde como para a saúde do meio-ambiente. Na contramão da atual (e trágica) tendência federal de liberar ainda mais o uso de pesticidas e outros venenos na produção brasileira, através de uma lei já aprovada e sancionada, a cidade de Florianópolis, na capital Catarinense é um exemplo de luta a ser seguida na liberdade destes malefícios.

Floripa irá se tornar o primeiro município brasileiro “livre de agrotóxicos”, na qual o armazenamento e aplicação de pesticidas de qualquer tipo passarão a ser um crime passível de multa. A lei prevê que os valores arrecadados pelas multas sejam revertidos para as pastas de Saúde e Meio Ambiente da cidade. Além da criação da lei, será criado um programa de educação sanitária ambiental para ensinar mais a respeito dos malefícios dos agrotóxicos para a saúde da população e os riscos de seu uso e manejo.

A lei é de autoria do vereador Marcos José de Abreu, do PSOL, “Durante toda tramitação a gente ia em cada vereador que pegava o projeto para dar o voto de relatoria. Sentava com ele, mostrava dados de análise de resíduos em alimentos e na água, apresentava estudos que correlacionavam o uso de alguns agrotóxicos com aumento de diversos tipos de câncer. Nossa principal base foi acreditar que o diálogo era possível”, disse o vereador.

É urgente a necessidade de discutirmos sobre esse tema, seja nas escolas, na faculdade ou em reuniões sociais com amigos. As grandes empresas produtoras de agrotóxico estão interessadas em lucros abismais em detrimento da saúde da população ou na preservação do meio ambiente. Interessante que empresas como a Basf e a Bayer, também possuem braços corporativos nas indústrias farmacêuticas. Falar sobre agrotóxicos, venenos e mortes nas lavouras é urgente, ainda mais que temos um psicopata fascista como chefe do poder executivo do país, que ao invés de reduzir o número de insumos permitidos, ampliou ainda mais.

Veja abaixo, 7 motivos de que não queremos agrotóxicos nos nossos pratos:

  1. São a causa de diversos problemas de saúde, e a exposição a longo prazo pode causar doenças crônicas como o câncer;
  2. Atingem diretamente os camponeses e camponesasque produzem nossa comida;
  3. Contaminam os cursos d’água, reservatórios e aquíferos;
  4. Matam a vida do soloe provocam a ‘espiral química’, isto é: quanto mais agrotóxico se usa, mais agrotóxico é necessário usar;
  5. Ameaçam diretamente a soberania alimentar, tornando nossa agricultura dependente das empresas transnacionais que dominam este mercado;
  6. Só em 2015, as empresas faturaram R$32 bilhõescom a venda de agrotóxicos, enquanto o Brasil investiu apenas R$3,8 bilhões em alimentação escolar; e
  7. ONU afirmouque os agrotóxicos são responsáveis por 200 mil mortes por intoxicação aguda a cada ano, e aponta que mais de 90% das mortes ocorreram em países em desenvolvimento. Além disso, coloca como mito a ideia de que pesticidas são vitais para garantir a segurança alimentar.

Fonte: com informações de EPSJV/Fiocruz / hypeness / Portal G1

 

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