Sem respostas, assassinato de Marielle Franco completa dois meses

Em manifestação na Cinelândia (RJ), parlamentares e movimentos sociais cobram solução do caso

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

 

Até agora, nem a motivação para o crime, nem seus autores, foram identificados pela polícia, mas o cerco investigativo vem se fechando

Há exatamente dois meses, a vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. Até agora, nem a motivação para o crime, nem seus autores, foram identificados pela polícia, mas o cerco investigativo vem se fechando.

Marielle foi morta com quatro tiros na cabeça, quando voltava de um debate na Lapa. Ela, Anderson e sua assessora, que sobreviveu, iam em direção à Tijuca, na zona norte, quando, no caminho, um Cobalt prata clonado emparelhou com seu carro e disparou.

Nos últimos dias foram dados passos importantes na investigação do crime. Uma reportagens revelaram que uma testemunha procurou a polícia para contar que o vereador carioca Marcello Siciliano (PHS) e Orlando Oliveira de Araújo (um ex-PM acusado de chefiar milícias na Zona Oeste) queriam a morte da vereadora. Ambos estão entre os investigados pelo assassinato, confirmou o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, na última quinta-feira.

A testemunha disse que foi obrigado a trabalhar como segurança de Orlando, depois que o miliciano tomou o controle da comunidade onde o delator trabalhava. Por isso, esteve presente em pelo menos quatro conversas entre o ex-policial e Siciliano, que, segundo a testemunha, teriam negócios em conjunto na Zona Oeste, reduto eleitoral do vereador e onde Orlando chefia milícias.

Ainda segundo a testemunha, dois policiais militares participaram do crime e estariam dentro do Cobalt usado na execução, na companhia de mais dois homens. Segundo informações, policiais civis e promotores do Ministério Público estadual estão negociando um acordo de delação premiada com Orlando, que está preso desde outubro do ano passado sob acusação de chefiar milícias. De acordo com o jornal, o ex-PM será levado nesta semana até a Divisão de Homicídios para conversar com os investigadores.

Segundo o ministro da Segurança, Raul Jungmann, o caso “está chegando a sua etapa final”, mas ainda sobram perguntas a serem respondidas. O fato de as câmeras no trajeto percorrido pelo carro de Marielle estarem desligadas ainda não foi esclarecido pela prefeitura, por exemplo.

Também não se sabe o porquê de, logo após o crime, os policiais ordenaram às pessoas que estavam na região deixarem o local e voltarem para suas casas. Até agora, esses policiais não foram chamados para explicar seu comportamento.

Siciliano teve pelo menos duas conversas telefônicas com supostos milicianos captados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. O vereador nega envolvimento com a milícia, mas o envolvimento de policiais militares e de políticos é, no momento, a principal linha de investigação para elucidar o crime.

Manifestantes  lotaram  nesta  segunda-feira (14)  as  escadarias  da  Câmara  do  Rio  e  a  praça  da  Cinelândia  para  lembrar  os  dois meses do  assassinato  da vereadora  Marielle  Franco (PSOL)  e  do  motorista  Anderson  Gomes.  Durante  o  ato,  parlamentares e representantes  de  movimentos sociais  cobraram  das  autoridades  a  solução  para  o  crime.

Para  a  ativista  do  Movimento  Negro  Unificado  (MNU),  Silvia  Mendonça,  as  esquerdas  precisam se  apropriar  das  bandeiras  de Marielle  e  ir  em  direção  aos  espaços  das  periferias  com  o  objetivo  de  ampliar  a  consciência  do  povo.  Silvia  recordou  a  época em que  conheceu Marielle,  em  2014,  quando  as  duas  lutaram  por  justiça  para  a  família  de  Claudia  Silva  Ferreira,  morta  na  Zona  Norte do  Rio  depois  de  ser  arrastada  por  uma  viatura  da  Polícia  Militar  por  300  metros.

“A  gente  tem  que  sair  daqui  agora  e  sempre  para  buscar  essa  unidade  entre  nós.  Assim  como  essa  burguesia  e  esse  fascismo exercem  essa  unidade,  a  gente  tem  que  ampliar  a  consciência  do  nosso  povo  que  não  está  aqui,  ir  para  os  territórios,  para  as favelas  e  para  os  espaços  onde  nós  não  estamos  conseguindo  trazer  quem  não  está  aqui”, clamou  a  representante  do  Movimento Negro  Unificado.

Fonte: com informações do Brasil de Fato/Exame

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