“Que beleza seria se toda diocese articulasse movimentos por Lula Livre”, diz padre

Pedrinho Guareschi criticou “acovardamento” de setores da igreja e defendeu o fortalecimento da mídia alternativa

Após visita a Lula em Curitiba, Guareschi concedeu entrevista coletiva / Joka Madruga / PT Nacional

O Brasil vive um momento que exige coragem para defender a manutenção dos direitos sociais. É o que afirma o padre Pedrinho Guareschi, que esteve em Curitiba nesta segunda-feira (26) para visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Superintendência da Polícia Federal.

Para o padre, a prisão do ex-presidente Lula e a tentativa de criminalização dos movimentos populares são parte de um projeto para instaurar o medo na população, tentando forjar a “inércia social”.

“Não há nada que seja mais prejudicial para um grupo ou uma pessoa do que o medo. O medo paralisa. E é isso que eles estão tentando botar em nós. Que beleza seria se todos os padres, cardeais, dioceses articulassem movimentos assim, por ‘Lula Livre’. Querem uma coisa mais clara do que essa injustiça que está sendo feita?”, disse.

Guareschi criticou ainda a forma como setores religiosos operaram durante a campanha eleitoral de 2018, para propagar uma lógica individualista e contrária aos ensinamentos cristãos. Segundo o padre, muitas igrejas “não falam de evangelho, mas falam, no fundo, de dinheiro e mais dinheiro”. Em contraponto, ele lembrou o trabalho das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica durante a ditadura militar, utilizando os ensinamentos bíblicos para agir localmente na realidade das periferias e zonas rurais.

“Está cheio de bispo acovardado, padre acovardado, que não tem coragem de fazer aquilo que é o evangelho mesmo. As comunidades de base eram, de fato, um evangelho refletido, ligado às bases, ligado à justiça, à fraternidade. Hoje em dia, não. O que estão fazendo para os meninos de rua, para o povo pobre, para o povo camponês?”, questionou.

Guareschi fez também um chamado à militância para articular ações práticas. Na visão do padre, é preciso que os movimentos de esquerda sejam criativos e inovadores, porque “uma sociedade não se muda com palavras, com escritos: se muda com ações”.

Eleições roubadas

Além de padre, Pedrinho Guareschi é filósofo, sociólogo, pós-doutor em psicologia e ciências sociais e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Entre suas linhas de pesquisa está a Comunicação Social e o papel político que a mídia desempenha na sociedade.

Para Guareschi, as eleições 2018 mostraram a potência de um fenômeno novo na comunicação, que são as redes sociais. Toda essa potência comunicacional, no entanto, foi cooptada pelo poder econômico. Para exemplificar, o padre lembrou o financiamento ilegal de campanha para o então candidato Jair Bolsonaro (PSL), em esquema de mais de R$ 12 milhões para compra de pacotes de disparo de mensagens via Whatsapp contra a chapa do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência.

“Quando entra no Whatsapp, no Facebook, a pessoa se revela, diz o que gosta, quais são seus valores, quais são suas crenças. A última eleição foi roubada, não foi legítima. E quem roubou foi quem tinha muito dinheiro e usou o Whatsapp [para isso]”, afirmou.

Assim como criticou setores financistas de algumas igrejas, Guareschi declarou que parte dos meios de comunicação “estão ligados ao grande capital”. Para se contrapor a esse sistema e à narrativa da grande mídia, segundo o padre, é preciso que os meios alternativos de comunicação façam “um trabalho de base” e construam apoio popular. “Não tem outra saída senão começar a organizar uma mídia alternativa. Nós precisamos de iniciativa e coragem, precisamos ser criativos”, disse.

Fonte: Brasil de Fato

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