Anarquismo, construção do poder popular e os movimentos sociais

A transformação social construímos no agora!

Foto: Reprodução da internet

“O germe de uma sociedade mais justa, igual e livre de exploração e dominações está na maneira como atuamos no “agora”, e isso não pode ser deixado pra depois. Está na forma como nos organizamos, por meio do federalismo, da autogestão e da ação direta. Está na intenção que damos a nossas práticas e às relações nos meios social e político; com os setores populares, com outros(as) militantes e companheiros(as) e na relação entre organizações políticas. O que equivale a dizer que o estilo militante é a busca da coerência entre as práticas do(a) militante, e do conjunto da militância, com os princípios, métodos e a linha política de uma organização.” Estas são teses defendidas por anarquistas. Esqueça o que os seus professores disseram, e o que pejorativamente sabe sobre o termo “anarquia”, mas após este artigo, você terá outra visão do que seja o Anarquismo Especificista.

A organização anarquista busca práticas políticas, promovendo discussão e reflexão sobre o contexto poltico-econômico-social vigorante no país, defendo a igualdade de gênero, raça, credo e questionando as formas de dominação capitalistas e adotadas pelo estado e imposta a todos os indivíduos, busca a construção do poder popular e da transformação social.

Anarquismo Especificista

Tem origem nas posições adotadas por Mikhail Bakunin, considerado, o criador do anarquismo, e se baseia tanto em relação às organizações populares, materializado em sua defesa de um determinado modelo para a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), quanto em relação à organização política revolucionária, que se materializou na teoria e na prática em torno da Aliança da Democracia Socialista (ADS). Outra referência encontra-se nas posições de Errico Malatesta, outro importante teórico do anarquismo, o qual reflete em relação às organizações populares, o movimento operário e o sindicalismo.

O anarquismo é uma ideologia que possui uma prática política com intenção de transformação social. Essa ideologia nasceu em meio às lutas de classe do século XIX e representou as aspirações de um determinado setor da população, como anseio de uma busca por revolução social e um socialismo libertário.

O anarquismo entende que somente por meio de uma mobilização social, ampla e popular, que consiga acumular força e promover a transformação, não decorrente das contradições internas do próprio capitalismo, mas fruto da vontade do povo organizado é que as bases de uma sociedade igual e justa para todos os individuos, e não apenas para uma parcela da sociedade é que será possível a derrocada do sistema político-ecônomico opressor. Por estes motivos, esta nossa concepção de anarquismo não tem nada de individualista.

Socialismo Libertário

Teoria criada na  AIT, o qual defendia uma educação sem a mão do Estado, observando que esta tornava as pessoas menos propensas a ver a liberdade que lhes era tirada.clama por um sistema socialista, onde a posse dos meios de produção seja garantida a todos os que trabalham. Neste sistema, não haveria necessidade de nenhuma autoridade e/ou governo, visto que não haveria necessidade de impor privilégios de uma classe sobre outra. A sociedade seria gerida por associações democráticas, formadas por todos, e dividindo-se livremente (ou seja, com entrada e saída livre) em cooperativas e estas, em federações.

Poder popular e movimentos sociais

A sociedade esta estratificada em classes, separada entre classes dominantes e classes oprimidas, cujas relações de dominação existem e carater de luta constante, tanto no campo econômico, político e cultural.

Ao longo da história, somente por meio de reinvidicações das classes oprimidas, organizadas dentro de movimentos sociais de luta, que houveram mudança. Os movimentos sociais são tidos como espaços privilegiados de organização de classes e, seu principal embrião para acumular força social e aplicá-la no conflito de classes, visando superar a força das classes dominantes.

Construir o poder popular implica em organizar novos movimentos sociais e integrar movimentos já existentes, defendendo uma posição de fortalecimento permanente, com a máxima adesão popular. O poder popular começa a desenvolver-se e se fortalece a partir das experiências de mobilização e luta sobre as necessidades imediatas da população. Portanto, construir o poder popular exige uma atuação imediata e não de espera em relação a outros fatores que possam trazê-lo sem maiores esforços, pois é na sociedade presente que se desenvolve o embrião da sociedade futura.

O poder popular se fortalece na medida em que os movimentos sociais utilizam a democracia direta como método decisório, ao tomarem decisões de maneira igualitária e coletiva, fortalecendo a construção pela base, ou seja “de baixo para cima” ou “da periferia para o centro”, e acabando com as relações de dominação que existem dentro deles, envolve um processo de democratização dos organismos de base, um exercício da democracia solidária, de participação direta e de construção da consciência de classe, que só tem sentido a partir de uma associação voluntária.

O fortalecimento do poder popular se dá a partir de iniciativas que têm por objetivo dar protagonismo aos movimentos sociais, atuando pela ação direta – e, portanto, fora das instâncias da democracia representativa, e com autonomia em relação a instrumentos, instituições e/ou indivíduos, sendo capaz de autodeterminação e de auto-sustentação. A construção do poder popular urge, deve ser agora!

Coletivo Anarquista Mineiro

Foto: P.A/COMPA

Em Belo Horizonte e Região Metropolitana, existe o COMPA, sigla para Coletivo Mineiro Popular Anarquista o qual promove diversas atividades de cunho social, filosófico e politico. Atuando em duas frentes: a frente comunitária e a frente da juventude, promovendo projetos e atividades como os circulos de formação, debates sobre a conjuntura, o curso de preparação para o vestibular de acesso as universidades para pessoas que não podem pagar um curso, atividades sociais nas ocupações urbanas, apoio a grêmios e comitês estudantis e promoção de inclusão social.

O anarquismo não é a promoção da desordem, do caos sem limites ou do pandemônio desgovernado, mas é uma luta social por justiça, igualdade e liberdade, liberdade esta não buscada apenas para cada indivíduo, mas para todos, como afirmou “PA”, militante do COMPA “não interessa ao anarquismo uma liberdade individual ou de uma parcela de um dado grupo, enquanto houverem outros 700 mil presos encarcerrados, a despeito de outros tantos presos ao sistema capitalista opressor e ao Estado que subjulga-os. Nossa preocupação é coletiva, e sempre iremos defender uma revolução do povo, pelo povo e para o povo”.

O COMPA milita por moradia junto à população cuja especulação imobiliária e ausência do Estado em prover residência mais afeta, a luta comunitária, e nos movimentos da juventude por meio do MOB – Movimentos de Organização de Bases de Minas Gerais e da Juventude Rosa Negra, que buscam a criação e o fortalecimento dos organismos de base, articulando as lutas na criação do poder popular e de conscientização do povo para que seja possível uma revolução popular e criação de uma sociedade socialista libertária e igualitária.

Foto: Site COMPA

Os círculos de debate sobre diversos temas, tais como socialismo, capitalismo, politica, anarquismo, revolução, economia acontecem no Centro de Referência da Juventude, aos sábados. Venha e participe! Maiores informações em: https://www.facebook.com/compacab/?ti=as

Fonte: com informações do COMPA

 

 

Comentários

Deixe uma resposta

Fechar Menu